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Nim ajuda a combater o mosquito da dengue

As folhas da árvore possuem uma substância inseticida que afasta os insetos. Aprenda a fazer uma receita simples e eficiente com citronela, água e álcool.

O nim, uma árvore de origem asiática, está ajudando a combater o mosquito da dengue, no Piauí. As folhas possuem uma substância inseticida que afasta os insetos.

A árvore afasta os insetos e já está em quase todos os bairros da capital Teresina. O professor Francisco Leal, da Universidade Federal do Piauí, que há 11 anos desenvolve pesquisa sobre a planta, explica que o nim possui substâncias naturais na seiva. “O mosquito não gosta do doce e da seiva dessa planta. Ela inibe a alimentação e diminui o crescimento dos insetos e a reprodução”, diz o pesquisador Francisco Leal.

A popularização do nim começou em Teresina há um ano. Os viveiros públicos passaram a produzir e a doar mudas da árvore. Em um ano, foram doadas 20 mil mudas.

A prefeitura também está doando mudas de citronela, outra planta de origem asiática com ação repelente. “Uma pulseira de citronela tem o efeito de repelir num raio de 50 metros quadrados qualquer inseto que esteja próximo dela”, esclarece Claudiney Feitosa, gerente Meio Ambiente.

Aprenda uma receita de repelente natural de citronela:

Ingredientes:
- 500 ml de água
- 100 gramas de folha de citronela picada
- 30 ml de álcool

Preparo:

Em um liquidificador, coloque a água e metade das folhas da citronela, bata por cerca de 3 minutos. Depois a mistura deve ser coada e usada para bater o restante das folhas, também por 3 minutos. Em seguida, é preciso coar novamente a mistura para acrescentar o álcool. Continue batendo por 1 minuto e está pronto.

Mosquito da dengue já resiste a inseticida tradicional, mostra estudo

Da Folha de S.Paulo

Uma pesquisa da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Botucatu aponta que o emprego excessivo de inseticidas, tanto o aplicado pelas prefeituras quanto os usados em casa, induz o mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus da dengue, a ter uma resistência genética maior ao veneno. O trabalho fez o mapeamento genético de 95 mosquitos em sete cidades paulistas, com diferentes incidências de casos de dengue.

Em laboratório, também foi avaliado como o organismo das larvas do inseto respondia ao veneno.

Mapeamento

A resistência dos insetos a diferentes venenos já vem sendo mapeada pelo Ministério da Saúde e por órgãos estaduais. Em São Paulo, o acompanhamento é feito pela Sucen (Superintendência de Controle de Endemias).

O estudo também toma por base a série histórica dos dados de resistência, catalogados desde 1996 em diferentes cidades pela Sucen.

A estimativa aponta, por exemplo, que, enquanto em Marília, com poucos registros de dengue, os inseticidas públicos matavam ao menos 80% dos mosquitos, em Santos a taxa de sucesso chegava à metade em alguns casos.

"É preciso periodicamente analisar a eficácia, porque a resistência é um processo. O que é bom hoje pode não ser no próximo verão", diz Maria de Lourdes Macoris, que trabalha na Sucen de Marília e é autora do estudo.

Em laboratório, foram selecionadas cerca de 150 larvas do mosquito para cada cidade estudada. Nessa fase, a da análise bioquímica, o metabolismo das larvas mais resistentes ao inseticida mostrou maior atividade das enzimas do grupo das esterases, ligadas à capacidade de neutralizar o veneno.

O estudo também analisou o material genético de 95 mosquitos, nascidos de ovos obtidos em cada um dos municípios escolhidos.

Segundo a pesquisadora, o material genético de cada grupo de mosquito variou muito, o que revelou um baixo fluxo gênico, ou seja, pouca mistura entre as diferentes populações do inseto.

Variado

Como a genética do Aedes revelou ser muito variada de uma localidade para outra, isso indica, de acordo com Macoris, que o mosquito tende a se estabilizar em cada local e a desenvolver diferentes níveis de resistência a inseticidas, conforme a exposição do animal à substância.

Órgãos públicos já controlam o veneno, diz a pesquisadora, mas a orientação é que, dentro de casa, o uso seja moderado. "Ainda existe essa cultura nas pessoas de acreditar na eficácia do inseticida em casa", afirma.

O Ministério da Saúde também alerta para o uso doméstico exagerado de inseticidas contra o mosquito.

Há 12 anos, o governo criou um sistema de monitoramento da eficácia dos venenos aplicados. Vinte cidades paulistas foram selecionadas.

A cada dois anos, as prefeituras recolhem ovos do mosquito para serem analisados em laboratórios da rede pública de saúde. O veneno é trocado sempre que a taxa de resistência fica muito alta.