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Preserva Mundi apoia ação de reflorestamento na Serra do Gandarela-MG


Redação, com Guest Post de Thaís Alessandra. Foto: Luciano Lima.

A fazenda Preserva Mundi é mais uma apoiadora da campanha Plante uma Árvore no Gandarela, iniciativa da Floricultura Ikebana Flores, conduzida pela publicitária Thaís Alessandra do Coletivo Cirandar.  A iniciativa pretende plantar mudas típicas (Ipê Amarelo, Ipê Branco, Jacarandá, mudas frutíferas e mudas características da região) do cerrado nas áreas mais devastadas do Gandarela, em nome de todos que divulgarem a campanha através de sites ou redes sociais. As ações do plantio serão noticiadas no site da Ikebana Flores.

Localizada entre a Serra do Curral e a Serra do Caraça, há 40km de Belo Horizonte – MG, Gandarela tem uma ampla diversidade: vegetação rupestre, canga e biomas de Mata Atlântica.

Por ser considerada uma das últimas reservas de Quadrilátero Ferrífero, a Serra do Gandarela está ameaçada por atividades mineradas. Além disso, a região abriga um amplo manancial de água potável: Bacias do Rio das Velhas e São Francisco, Rio Piracicaba e Doce.

Durante a campanha, a floricultura distribuirá gratuitamente mudas típicas do cerrado (ipê branco, ipê amarelo, sucupira, entre outras.) a quem se interessar. Para pegar uma muda, basta comparecer de segunda-feira a sexta-feira, de 10h00 as 19h00, na Av. Getúlio Vargas, 1697, Savassi – Belo Horizonte-MG. O telefone é (31) 3227-4802.

Clique e conheça mais sobre a Ikebana Flores BH que está divulgando a campanha PLANTE UMA ÁRVORE NO GANDARELA . 

Agronegócio orgânico brasileiro ganha cada vez mais importância no cenário atual

Por Alexandre Harkaly*, Diretor Executivo do IBD Certificações

Desde 1º de janeiro de 2011 está em vigor à Lei Brasileira para os Orgânicos. Em 2011 a Européia completou 20 anos e a dos EUA, 10 anos. Mas o Brasil inovou nesta área, pois introduziu duas categorias de certificação: por Auditoria feita por auditores externos que visitam produtores e, a Participativa, onde associações ou cooperativas de produtores podem aplicar a certificação. Ambos os sistemas devem ser autorizados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A segurança legal nos trouxe agora uma nova fase de organização do agronegócio orgânico brasileiro que começa atrair grandes investimentos e indústrias de alimentação preocupadas com um público de 30% considerado muito exigente, com grande poder de decisão de compra no mercado consumidor tanto interno, quanto externo e que busca uma alimentação saudável. Epidemia de obesidade, novas doenças um país que oferece sol o ano inteiro, mas que faz uso desse contexto para ser um campeão mundial no consumo de agrotóxicos tem um público reflexivo e atento, principalmente ao custo embutido nas contaminações onde se estima que, de cada Real investido em agrotóxico existiria um custo de R$ 1,25 a mais para compensar esta contaminação, e os números mostram o mercado de orgânicos em expansão.

O segmento alimentício é um dos mais importantes para a indústria no país. E, cada vez mais, a agricultura e a indústria devem caminhar juntas para um denominador comum: a sustentabilidade. E a cobrança mundial por formas sustentáveis de produção e relações de consumo são crescentes, esse é hoje o grande debate mundial.

O Brasil tem o maior mercado consumidor de orgânicos da América do Sul e está em crescimento: no mercado brasileiro 70% dos orgânicos são vendidos nos supermercados, na Alemanha esse índice é de 26% e, na Itália, de 23%. Há mais de 100 feiras orgânicas no Brasil surpreendentemente, segundo o IDEC, que fez um levantamento detalhado sobre as feiras nas várias capitais do país. O IBD Certificações registra um crescimento anual de 20% em projetos de certificações, aonde temos o prazer de ter o SEBRAE como um parceiro importante na expansão da produção nacional de orgânicos certificados. Apenas o IBD possui 350 agroindústrias e indústrias alimentícias certificadas, desde micro empresas até grandes unidades de produção e,esse volume verificado no início de 2012, já é 20% maior em relação ao começo do ano anterior.

Mas a produção brasileira de orgânicos ainda é uma pequena fração do que se produz no planeta. Faturam-se no planeta U$ 60 bilhões com produtos orgânicos. No Brasil somente cerca de U$ 300 milhões e, por termos uma regulamentação nova, não há dados estatísticos seguros. Há mais de 1.578,407 unidades orgânicas de produção no planeta, com 6.500.000 trabalhadores em campo, em uma área total de 37.000.000 de hectares. No Brasil este número ainda não passa de 10.000/15.000 produtores em uma área de 1.000.000 de hectares, excluindo as áreas extrativistas.

Nos EUA, por exemplo, as vendas de orgânicos saltaram de $1 bilhão em 1990 para $26.7 bilhão em 2010. Em 2010, as vendas cresceram a um ritmo de 11.8 % em relação a 2009, apesar da crise. Orgânico representa agora 11 % de todas as vendas de frutas e verduras. O Brasil é considerado pelos principais importadores de orgânicos – EUA, União Européia e Japão – como o país de maior potencial de produção orgânica para exportação. Cerca de 70% da produção orgânica brasileira (em valor) é exportada.

Nosso grande desafio interno é a falta de investimento em pesquisas para o desenvolvimento de tecnologia no setor o que dará aumento de produção e estamos batalhando por esse avanço. Como sinal dos novos tempos, a Bayer acaba de comprar a Americana Agraquest (uma negociação de U$ 425 Milhões) por tecnologias verdes, principalmente controle biológico, numa aposta que estas empresas serão cada vez mais demandadas no futuro. Assim como a empresa holandesa Koppert Biological Systems adquiriu a Itaforte BioProdutos no Brasil, reconhecida marca nacional no controle biológico de pragas e doenças agrícolas. A Koppert, um dos maiores players internacionais de defensivos biológicos e polinizadores, expande seu mercado para o Brasil. É fato que sem a tecnologia de defensivos biológicos a agricultura orgânica assim como a agricultura moderna, não terá muitas chances de atender aos desafios atuais de sustentabilidade e adequação ambiental.

A agricultura orgânica tem os maiores índices de reciclagem interna de insumos (integração da propriedade) o que aumenta a viabilidade econômica e a lucratividade da produção. Este índice, trabalhado por instituições como ESALQ e IEA poderia ter mais reconhecimento e nortear a criação de novas tecnologias. Não é à toa que somos muito fortes na produção orgânica de açúcar, café, óleos, amêndoas, mel, hortaliças e frutas. Há uma demanda mundial reprimida de frutas orgânicas. Óleos essenciais orgânicos estão em alta, com o crescimento do mercado de cosméticos orgânicos no mercado internacional, por exemplo. Mas estamos caminhando numa agenda positiva para alinhar produção, demanda interna, exportação e o interesse das indústrias que tem papel fundamental para alavancar toda a cadeia de matéria-prima.


*Alexandre Harkaly - Co-Fundador e Diretor-Executivo do IBD Certificações.  É engenheiro agrônomo com especialização em ciência dos solos pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiróz – ESALQ/USP, possui especialização em agricultura biodinâmica na Emerson College, Inglaterra e aperfeiçoamento na Universidade Wageningen, Holanda.

Novo sistema da Embrapa produz tomates livres de agrotóxicos

 Comercialização dos produtos deve começar em novembro

Apesar de não utilizar agroquímicos no processo de cultivo do tomate pelo Tomatec, a produção não é orgânica

Por Globo Rural Online

Uma tecnologia desenvolvida pela Embrapa promete reduzir o custo de produção, o uso de produtos químicos e a contaminação ambiental. Trata-se do sistema de produção Tomatec (Tomate Ecologicamente Cultivado), que visa garante tomates livres de resíduos de agrotóxicos e maior produtividade.

Em 2012, serão cultivados cerca de 12 mil tomateiros por meio do sistema em municípios do Rio Grande do Norte, São Paulo e Goiânia. A comercialização do produto começa a partir de novembro.

Apesar de não utilizar agroquímicos, a produção não é orgânica. O processo consiste em tomateiros sustentados por fitilhos plásticos e os frutos envolvidos em sacos de papel. O uso dos fitilhos no lugar das estacas de bambu para a sustentação das plantas permite melhor desenvolvimento dos tomateiros, além de poder ser lavado após o uso – diferente do bambu, utilizado sem higienização prévia e contaminando novas lavouras. A contaminação dos frutos também é impedida pelo uso de um saco feito com papel especial, que serve como barreira física à passagem dos agrotóxicos.

Análises realizadas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em 2006 atestaram a ausência de resíduos agrotóxicos no tomate produzido com o acompanhamento da Embrapa. Em 2009, a Fiocruz realizou o mesmo exame em uma propriedade que plantou dois mil pés da fruta utilizando o sistema e sem a interferência de pesquisadores, novamente indicando que os frutos eram livres de agrotóxicos.

A conservação do solo, o uso eficiente da água e economia no uso de fertilizantes são outras vantagens do sistema. É possível diminuir perdas por erosão do solo, reduzindo a contaminação dos mananciais. A fertirrigação também proporciona a economia de água e adubos mais solúveis, representando uma queda de 40% na taxa de adubação, geralmente elevada nas lavouras de tomate.

A marca Tomatec já está registrada junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial e frutos produzidos a partir deste sistema serão certificados em breve. Segundo José Ronaldo, pesquisador responsável pelo início do trabalho, pretende-se vincular um preço diferenciado à marca, de modo a assegurar mais renda ao produtor que vender os tomates livres de resíduos agrotóxicos.

Azadiractina, uma nova opção no controle de insetos

Por Uemerson Silva da Cunha  e Paulo César Bogorni  

Dentre as estratégias adotadas para minimização dos danos de insetos-praga em hortifrutigranjeiros, o controle químico tem sido a principal,  onde várias pulverizações são realizadas durante seu cultivo. Apesar disso, muitas vezes não se tem obtido a eficácia desejada, devido entre outros coisas, a seleção de populações resistentes aos princípios ativos empregados e à eliminação de populações de inimigos naturais.

Somados a estes, estão os possíveis problemas de intoxicações de  produtores e de  consumidores pelos resíduos dos agrotóxicos utilizados, bem como a contaminação ambiental. Nesse sentido, uma das alternativas que tem se mostrado promissora como componente do manejo integrado de insetos-praga, tais como a traça-do-tomateiro Tuta absoluta (Meyrick) e a mosca-branca Bemisia tabaci (Genn.) biótipo B, o uso de inseticidas  naturais, predominantemente os oriundos  de  Azadirachta indica  (Meliaceae), planta inseticida de origem indiana comumente denominada nim, cujo principal composto é a azadiractina.

Os insetos tratados ou alimentados com azadiractina apresentam alterações desde a inibição do crescimento, deformações e prolongamento da fase de desenvolvimento até a morte. Nesse sentido, a utilização desse tipo de composto constitui uma alternativa viável para o controle de pragas, principalmente considerando-se que os sistemas de produção sustentáveis requerem a implantação de medidas menos agressivas e que possam ser mantidas por um maior período de tempo como parte do agroecossistema.

No Brasil, alguns trabalhos foram realizados, utilizando-se um produto formulado à base de azadiractina, visando o controle da traça-do-tomateiro e da mosca-branca. Para o controle de traça-do-tomateiro,  verificou-se que concentração do produto formulado a partir de 0,18%  foi suficiente para causar mortalidade superior a 90% das larvas no sexto dia após a aplicação. Já para mosca branca as concentrações de 0,12% e 0,24% provocaram mortalidade de ninfas superiores a 80% e 90% respectivamente, ao 15º dia após a aplicação do produto.

A azadiractina tem seu principal efeito por ingestão, assim sendo, a  mortalidade dos insetos é observada a partir do quarto dia após a aplicação. Apesar de não possuir ação de choque o efeito da  azadiractina sobre larvas e ninfa é imediato, paralisando  a alimentação e levando a morte das mesmas. A ovoposição das fêmeas também é afetada.

Por se tratar de um composto natural, extraído de uma planta, a azadiractina apresenta problemas de degradação havendo a necessidade de que produtos a base desse composto sejam formulados para aumentar a vida de prateleira e apresentarem maior eficiência em condições de campo. Também, por não deixar resíduos nos produtos tratados é um fator a mais de segurança ao consumidor.

Embora diversos produtos a base de azadiractina sejam comercializados no Brasil, esses em sua grande maioria são “óleos” que não apresentam uma garantia mínima desse composto em sua composição, além de outras impurezas. Hoje temos apenas um produto registrado no MAPA a base de azadiractina chamado Azamax® que também tem certificação para uso em agricultura orgânica. A utilização de produtos registrados nos dá não apenas a garantia da concentração do ingrediente ativo mas a segurança de uma melhor  eficácia no manejo das pragas nas lavouras. 

Bibliografia

CUNHA, U.S.; BOGORNI, P. C.; VENDRAMIM, J. D.; GONÇALVES-GERVÁSIO,  R.  C. R. Estimativa de concentrações letais de NeemAzal-TS, formulação à base de nim, para a traça -do-tomateiro Tuta absoluta (MEYRICK) In. Simpósio sobre controle biológico - SICONBIOL, VIII, São Pedro, SP, SEB, p.162, 2003.

LOVATO, B. V.;  VENDRAMIM,  J. D. Estimativa de concentrações letais de  Neemazal-TS, formulação  à  base  de  nim,  para  a  mosca-branca Bemisia tabaci (Genn.) biótipo  B . In:  XI Simpósio Internacional de Iniciação  Científica  da  USP,  2003,  Piracicaba.  Resumos.  Piracicaba: ESALQ, 2003. v.1. p.56-56.

Rio+20: Preserva Mundi é destaque na mídia nacional

Em reportagem da Agência Brasil, replicada pelo Jornal do Brasil, a diretora-executiva da Preserva Mundi, Romina Lindemann, adverte para as barreiras que os produtores de orgânicos ainda enfrentam para fazer chegar seus produtos ao consumidores.

Ela elenca a falta de assistência técnica e da logística de entrega de produto como os piores gargalos: “A dificuldade para os produtores orgânicos é o acesso à assistência técnica. Hoje o produtor fica carente. A indústria química tem pessoal para colocar equipes viajando de carro pelas estradas do país. Os produtos naturais custam até mais barato, mas não tem a assistência que a indústria química dá. O governo tenta fazer algumas ações, mas ainda é muito limitado”, disse Romina.

Veja reportagem na íntegra:


Mercado de orgânicos cresce, mas ainda enfrenta barreiras, dizem produtores

Agência Brasil

O mercado para produtos orgânicos – sem uso de agrotóxicos, adubação química ou hormônios – está se expandindo rapidamente no Brasil, mas os produtores ainda enfrentam barreiras para chegar aos consumidores. A avaliação é de produtores orgânicos reunidos na conferência Green Rio, evento de agricultura orgânica paralelo à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio+20.

A produtora rural Romina Lindemann, da empresa Preserva Mundi, que fabrica produtos de uso medicinal e veterinário a partir do neem, uma erva indiana cultivada na fazenda da família, no município de São João de Pirabas, no nordeste do Pará, reclama da falta de assistência técnica e da logística de entrega.

“O neem é uma planta indiana usada há mais de 4 mil anos na medicina na Índia. Lá ele é usado como repelente de insetos e como creme dental, pois os indianos mascam os galhos do neem como se fosse a escova de dentes”, disse.

“A dificuldade para os produtores orgânicos é o acesso à assistência técnica. Hoje o produtor fica carente. A indústria química tem pessoal para colocar equipes viajando de carro pelas estradas do país. Os produtos naturais custam até mais barato, mas não tem a assistência que a indústria química dá. O governo tenta fazer algumas ações, mas ainda é muito limitado”, disse Romina, que cultiva 160 mil pés de neem em sua fazenda.

O produto tem apresentações em pó, sabonete ou líquida e pode ser usado no combate a piolhos, bernes, vermes e mosca de chifre em bovinos, na forma de chá.

Para a produtora orgânica Rosangela Cabral, dona da empresa Secale Pães Orgânicos, o maior problema não foi a aceitação de sua linha de pães, mas a dificuldade para encontrar uma logística de distribuição que atenda tanto aos grandes mercados como às pequenas lojas de produtos naturais, muitas a centenas de quilômetros de distância de sua padaria, em Porto Alegre.

“O negócio está crescendo, mas têm mil dificuldades. A empresa está indo bem, mas eu preciso ter mais fôlego. O problema é a logística de entrega, pois o volume é pequeno e o frete é caro. Para o orgânico deslanchar de vez no Brasil é preciso resolver a questão da distribuição”, avaliou Rosangela que há seis anos fabricava 500 pães por mês e, hoje, produz 15 mil.

O produtor rural Dick Thompson, da região de Itaipava, em Petrópolis (RJ), começou há cerca de 22 anos entregando verduras orgânicas para cinco amigos que moravam no Rio de Janeiro. Depois de trabalhar por anos no mercado financeiro, ele resolveu investir em um sítio de 50 hectares na serra e optou pela produção sem venenos ou adubo químico, quando criou a empresa Sítio do Moinho.

“Na época era uma novidade completa. Comecei pensando em alimentar minha família de uma forma saudável e correta. Aí entendi que o processo era benéfico não só para a saúde do indivíduo, como para o meio ambiente e o mundo. Comecei entregando verduras em domicílio para cinco amigos. A coisa foi crescendo e hoje fazemos 300 entregas por semana, disse Dick, que também vende seus produtos em uma loja própria na zona sul e deve inaugurar outra na Barra da Tijuca. Além das hortaliças, ele também comercializa massas, granolas, pães e outros artigos orgânicos.

Para ele, o preço dos orgânicos jamais será o mesmo que o da produção convencional, pelo simples fato de que a produção orgânica leva mais tempo para chegar ao ponto de colheita ou de abate, justamente por não utilizar de adubação química nem de hormônios. “Um alface orgânico leva três meses para estar pronto. Um de agricultura convencional pode ser colhido em dois meses. Ou seja, com orgânico eu tenho quatro safras por ano, enquanto com adubação química consigo seis. Os orgânicos serão sempre de 20% a 30% mais caros”, comparou Dick.

O secretário nacional de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Laudemir Müller, acredita que estratégias de governo possam equilibrar os preços. “O nosso objetivo é que os orgânicos tenham os mesmos preços de mercado que os não orgânicos. Nossa estratégia é promover a produção orgânica e a agricultura familiar, gerando desenvolvimento no meio rural, e dar acesso a um alimento de maior qualidade nutritiva e socioambiental. A produção orgânica já não é cara. Temos uma política de crédito específica para os orgânicos e uma assistência técnica e de extensão rural”, disse Müller. Atualmente, segundo o MDA, o país tem registrado cerca de 90 mil famílias dedicadas à agricultura orgânica.

A responsável pela conferência Green Rio, Maria Beatriz Martins Costa, da empresa Planeta Orgânico, reforça a tese de que a produção orgânica está ficando cada vez mais barata e acessível a um segmento maior de consumidores, através dos ganhos de escala. “Um grande impulso que o mercado está tendo são as políticas públicas, na medida em que os agricultores familiares têm incentivo a entrar no setor orgânico. Um dos maiores grupos de supermercado do Brasil registrou crescimento de 35% na venda de orgânicos em 2011, comparado com o ano anterior, que já vinha de um crescimento de 70% desde 2003, quando começaram a trabalhar com produtos orgânicos”, destacou Maria Beatriz.

Preserva Mundi na Rio+20

As atividades desenvolvidas pela Preserva Mundi será um dos cases de sustentabilidade apresentados pela Sociedade Nacional de Agricultura (SNA) no Green Rio, evento paralelo à Rio+20, que será realizado nessa quarta-feira (20) no Centro de Convenções da Bolsa de Valores, no Rio de Janeiro.

O estande da SNA divulgará as atividades de sete empresas: Clor-in, Ecobras, Secale, Preserva Mundi, Coopernatural, Sérgio Carrano Consultoria e Advocacia e Tecpar Certificadora.

A diretora da Preserva Mundi, Romina Lindemann, participa de diversas atividades ligadas à sustentabilidade na Rio+20, até o dia 22 de junho.

Será apresentado também o projeto do CI Orgânicos (Centro de Inteligência em Orgânicos), que conta com o apoio do Sebrae.

O endereço do Centro de Convenções da Bolsa de Valores é Praça XV de novembro 20, Centro. A entrada para a feira custa R$ 20.

Mais informações: www.greenrio.com.br.

Dica de leitura sobre empreendedorismo responsável: Produção e Consumo Sustentáveis


A publicação Produção e Consumo Sustentáveis – Oportunidades e Diferencial Competitivo a partir do Empreendedorismo Sustentável apresenta uma série de orientações sobre aspectos da gestão sustentável, visando à redução dos impactos ambientais decorrentes de atividades empresariais.

O livro aponta oportunidades, modelos e diferenciais competitivos provenientes de ações socioambientais, tendo em vista o desenvolvimento sustentável. É uma fonte de conhecimento muito útil para empresários que decidirem adotar uma agenda de inovações efetivamente sustentável.

A publicação não será impressa em respeito ao meio ambiente. Recomendamos especialmente a leitura da entrevista do consultor em comunicação e sustentabilidade, Claudio Andrade, na página 18.

# Clique aqui para ler na íntegra.

Boa leitura!!

Negócios Sustentáveis: Estudos Indicam Caminhos de Transição Verde

por Fatima C. Cardoso*

O tema central da conferência Rio+20 será a economia verde, aquela que teoricamente consegue promover melhoria do bem-estar da humanidade e igualdade social e ao mesmo tempo reduz riscos ambientais e escassez ecológica. A definição é do PNUMA, agência para o meio ambiente da Organização das Nações Unidas (ONU).

Para a agência da ONU, a economia verde é o caminho para realizar o desenvolvimento sustentável, outro conceito que foi consagrado na Eco 92, a conferência que também aconteceu no Rio de Janeiro há 20 anos. A compatibilização do desenvolvimento econômico com a sustentabilidade ambiental e social do planeta depende de um modelo econômico diferente, que considera o capital natural um bem econômico, tem baixa emissão de carbono, é eficiente em seu uso de recursos e socialmente inclusiva.

O debate sobre um novo modelo econômico torna-se crítico quando se constata que, passadas duas décadas da ECO 92, o uso descontrolado dos recursos naturais é cada vez maior e a marginalização social continua a crescer.

A preparação da Rio+20 tem gerado uma série de documentos e estudos com o objetivo de encontrar caminhos para essa economia mais inclusiva e menos destrutiva. Um grupo de especialistas mundiais em meio ambiente publicou recentemente um documento reunindo um conjunto de recomendações para os líderes governamentais sobre ações necessárias para se alcançar o ideal do desenvolvimento sustentável. Intitulado "Desafios ambientais e desenvolvimento: o imperativo para agir", o documento foi elaborado por 20 cientistas laureados com o Blue Planet Prize, concedido pela fundação japonesa Asahi Glass Foundation, e considerado o Nobel do meio ambiente.

Os cientistas recomendam no documento eliminar os subsídios em setores como os de energia, transporte e agricultura e substituir o Produto Interno Bruto (PIB) como medida de riqueza dos países. Eles defendem ainda a criação de mecanismos para conservar e valorizar a biodiversidade e os serviços do ecossistema, além de novos mercados que possam formar as bases para uma economia que contabiliza os custos sociais e ambientais. O que os cientistas querem dizer é que a transição para uma economia verde depende de um conjunto de regulamentos nacionais e políticas, além de acordos globais sobre subsídios e incentivos, mercado internacional e infraestrutura. Atualmente as instituições que norteiam a economia mundial não facilitam essa mudança, ao contrário, estimulam o status quo, como o uso excessivo de combustíveis fósseis.

Em estudo feito em conjunto com o PNUMA e divulgado durante um evento preparatório para a Rio+20 em Nova York, a empresa de consultoria global KPMG revela que a mudança é urgente e que as empresas correm riscos financeiros por não incluírem os custos associados a problemas ambientais nos seus planejamentos financeiros. De acordo com o cálculo feito por outra consultoria parceira no estudo, a Trucost, os custos ambientais não computados pelas empresas já chegam a US$ 846 bilhões. O cálculo leva em consideração 11 setores chaves como alimentos, bebidas, petróleo e gás, automóveis e telecomunicações e são estabelecidos valores para 22 impactos ambientais considerados os mais relevantes na realização dos negócios desses setores, como a emissão de gases de efeito estufa, o uso da água e a geração de resíduos.

Para ficar de olho

Selo de carbono - A rede de supermercados britânica desistiu de calcular a pegada de carbono dos 70 mil produtos à venda nas suas prateleiras. A empresa tinha se comprometido com o tema em seu plano de sustentabilidade, mas decidiu voltar atrás. A Tesco não vai mais cobrar que seus fornecedores calculem sua pegada de carbono e adotem o selo da Carbon Trust, consultoria britânica que desenvolveu uma metodologia de cálculo de inventário de emissões em cadeias de produção e a certificação Carbon Reduction Label (algo como Selo de Redução de Carbono). Para a Tesco, o processo de certificação é muito caro e demorado, além de outros supermercados não terem aderido ao esquema. O selo da consultoria britânica foi lançado em 2007 e está presente em mais de 90 marcas e 5 mil produtos, especialmente na Europa e nos EUA.

* Fátima C. Cardoso é jornalista, com Pós-Graduação em Ciência Ambiental, e especialista em assuntos ligados à sustentabilidade e responsabilidade socioambiental

Desafios e oportunidades que marcam a trajetória dos profissionais de sustentabilidade

Diante de um cenário repleto de oportunidades, esses profissionais enfrentam muitos desafios ao lidar com conceitos ainda pouco compreendidos

Fonte: HST (Harvard Stanford MIT)

Eles são responsáveis por plantar a semente da sustentabilidade nas empresas, em instituições da sociedade civil organizada, no governo e na academia. Não importa em que local estejam atuando, sua visão de mundo está voltada às demandas do século XXI, ao desafio de aliar as dimensões econômica, social e ambiental. Às vésperas da Rio+20, um cenário de oportunidades e desafios abre-se diante dos profissionais de sustentabilidade.

“Nunca houve tantas vagas no mercado de trabalho como hoje para esses profissionais”, afirma João Francisco de Carvalho Pinto Santos, sócio-diretor da The Key – consultoria na área de sustentabilidade. Além do aumento das oportunidades de trabalho, ele destaca o atual contexto brasileiro, extremamente positivo para os profissionais da área.

“O Brasil está protagonizando um momento relevante, pois podemos ser os provedores de novas soluções para os desafios da humanidade e para o desenvolvimento de novas tecnologias sustentáveis”.

Para ele, o grande desafio dos profissionais de sustentabilidade hoje é tornar tangível o que pode parecer intangível aos olhos dos CEOs e acionistas, muitos deles ainda presos ao velho paradigma, em que tudo o que foge do ativo físico circulante deve ser administrado como custo. “Cabe a esses profissionais mostrar que a sustentabilidade é um investimento para a sobrevivência da empresa”, argumenta.

O desafio da sensibilização

Para Santos, esses profissionais têm o desafio de mostrar que a sustentabilidade se aplica a todas as áreas da empresa ou instituição em que atuam e que é possível mensurá-la por meio de indicadores. “O intangível tem que virar tangível”, diz.

Por isso, alcançar sucesso nesse trabalho de sensibilização torna-se ainda mais difícil quando se tem outra questão em jogo: a falta de alinhamento conceitual.

“O conhecimento nessa área ainda é incipiente, por isso temos grande dificuldade no alinhamento dos conceitos, o que gera uma dificuldade de entendimento”, esclarece Marcus Nakagawa, idealizador da Associação Brasileira dos Profissionais de Sustentabilidade – Abraps – e sócio-diretor do Setor i, empresa de gestão integral para o terceiro setor.

A Abraps possui um comitê da Rio+20 que está realizando um trabalho de coleta de postulados sobre sustentabilidade com várias grandes organizações. Nakagawa conta que, nesse trabalho, fica evidente a falta de alinhamento, pois um mesmo conceito é definido de diferentes maneiras pelas organizações.

“A base para qualquer trabalho é o alinhamento conceitual. É daí que surge o entendimento de como a sustentabilidade está presente no nosso dia a dia e como ela pode gerar resultados para todos”, defende.

Nakagawa afirma que atualmente nem todos compreendem os conceitos relacionados à sustentabilidade nem quem é o profissional que atua nessa área tão multidisplinar. “Acredito que daqui a 20 ou 30 anos, haverá um amplo entendimento sobre esses conceitos, que serão aplicados naturalmente em todas as rotinas de trabalho”, acredita.

Carreira nas médias e pequenas empresas

Nakagawa relata que de acordo com pesquisas realizadas pela associação cerca de 40% dos profissionais da área atuam em empresas ou consultorias. “Há um grande movimento de pessoas querendo atuar com sustentabilidade, gente migrando de outros setores. Todos querem trabalhar dentro da área de sustentabilidade das grandes empresas ou em consultorias que prestam serviços para grandes empresas”, afirma.

Apesar da grande visibilidade que as grandes empresas fornecem à carreira desses profissionais, Nakagawa diz que há um vasto campo a ser explorado nas médias e pequenas empresas, especialmente naquelas que são fornecedoras de grandes empresas e precisam se adaptar aos novos padrões de sustentabilidade.

“Um dos desafios da Abraps é apontar esses novos caminhos que se abrem nas médias e pequenas empresas”, conclui.

Por Daniela Kussama

Rede social britânica conecta agricultores e compradores

Objetivo é promover comércio local de produtos sustentáveis

por Globo Rural On-line

Produtores agrícolas do Reino Unido ganharam mais uma alternativa para levar seus produtos aos consumidores de povoados das proximidades de suas fazendas e plantações. Sem qualquer custo, a rede social Sustaination mantém em contato agricultores e compradores de um raio de até 11 quilômetros, aproximadamente.

Os interessados em comprar frutas, verduras e legumes fresquinhos, entre outros, podem fazer um cadastro gratuito no site e buscar fazendas e plantações que ofereçam os produtos.

Segundo o texto de apresentação da página virtual, além de promover o comércio local, a grande vantagem do negócio é unir “quem quer vender com quem quer comprar”, reduzindo gastos com combustível, embalagem e transporte.

Os agricultores podem ainda atualizar seus perfis com novidades e ofertas especiais, além de enviar e-mails marketing para antigos e novos clientes.

O vídeo abaixo (em inglês) detalha o projeto. Confira:

Estudante é premiada por criar embalagem ecológica para mudas

Aluna de Campinas venceu o Prêmio Jovem Cientista com produto feito com bagaço de cana

Por Luciana Franco
Ana Gabriela Ramos, recém-formada no curso técnico de Meio Ambiente da Escola Técnica Estadual (Etec) Conselheiro Antônio Prado, de Campinas, venceu o Prêmio Jovem Cientista 2011 na categoria Ensino Médio com a criação de uma embalagem ecológica para mudas feita com bagaço de cana. A embalagem pode ser usada como alternativa para o plantio de mudas, geralmente comercializadas em sacos plásticos, que levam séculos para se decompor.

A embalagem foi desenvolvida ao longo de um ano como projeto de conclusão de curso da Etec sob orientação da professora Érica Gayego Bello Figueiredo Bortolotti, que inscreveu o projeto no Prêmio Jovem Cientista. “Além de poder ser plantada com a muda, a embalagem se decompõe rápido e vira nutriente para a planta”, diz Ana Gabriela, que concorreu com 1.967 inscritos no prêmio.

Organizado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Prêmio Jovem Cientista completa 30 anos em 2011 e tratou do tema Cidades Sustentáveis.  “O objetivo do projeto é reduzir o acúmulo de plástico, pois o material demora até 400 anos para se decompor”, explica a estudante, que atualmente faz estágio no Instituto Agronômico de Campinas e pretende fazer faculdade de Biologia.

“Estamos dando continuidade à pesquisa através da análise das embalagens que foram enterradas no solo junto com as mudas e após 8 meses de observação constatamos que a decomposição já começou”, diz Érica.

A viabilidade econômica ainda é uma questão a ser resolvida, já que a embalagem ecológica tem um custo de R$ 2,50 contra R$ 0,10 do plástico. “O primeiro passo será comprar material em maior quantidade a fim de reduzir o custo de produção”, diz a professora.

A entrega do prêmio ocorreu nesta terça ( 6/12) no Palácio do Planalto. As categorias incluem "Graduado" e estudantes do Ensino Superior. Alunos do Ensino Médio classificados em 1º, 2º e 3º lugar, como Ana Gabriela, recebem um computador e uma impressora multifuncional cada. A mesma premiação será dada aos orientadores e às escolas.