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Uso do NEEM para combater bicho mineiro no café

Vejam vídeo mostrando o uso prático do NEEM para combate de bicho mineiro em árvores de café.

https://www.youtube.com/watch?v=wNu66iLAGZ8

Mapa intensifica política de incentivo ao uso e registro de agrotóxicos biológico

Novo produto para controle de nematóides está para ser aprovado, diz coordenador de Agrotóxicos do Mapa     
        
30/07/2013 - Devido ao apelo social e de produtores para ampliar a produção sustentável no país, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) tem intensificado sua política de incentivo ao uso e registro de produtos biológicos para combater pragas nas lavouras.

O mercado de agrotóxicos, que movimenta cerca de US$ 10 bilhões por ano, tem apostado cada vez mais na aquisição de defensivos sustentáveis. “Com o passar dos anos, com as pesquisas, as empresas foram desenvolvendo produtos cada vez menos tóxicos e isso foi criando o cenário que temos hoje. Estamos em busca de sustentabilidade e aos poucos estamos substituindo os produtos mais tóxicos pelos menos tóxicos, 5% dos agrotóxicos registrados no Brasil são biológicos. Nossa meta é chegar a 10% até 2015”, disse o coordenador de Agrotóxicos e Afins do Mapa, Luis Eduardo Rangel.

Segundo Rangel, um novo defensivo biológico foi apresentado aos órgãos responsáveis pelo registro de agrotóxicos no país, visando o controle de nematóides de galhas, na cultura da soja. O Mapa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), estão em processo final de avaliação do nematicida Nemat (Paecilomyces lilacinus 300g/kg). “Os três órgãos estão interessados na aprovação do defensivo, principalmente por ser menos prejudicial ao meio ambiente. Assim que registrado, poderá ser disponibilizado para os produtores”, salientou o coordenador. 

Os nematóides são responsáveis por severas perdas na produção de soja uma das culturas de maior importância econômica no Brasil. Eles estão presentes no solo e, para se alimentar, injetam substâncias tóxicas nos tecidos da planta, impedindo o seu crescimento. Luis Rangel explica que os químicos não têm sido eficientes o bastante para conter a praga. “Essa praga é um pesadelo para o agricultor, porque as áreas com a presença de nematóides normalmente são condenadas. O nematicida em avaliação é a grande esperança, pois os produtores clamam por isso há muito tempo”, disse. 

O registro de produtos biológicos é uma das prioridades do Governo Federal, de acordo com Rangel e, por este motivo, o Mapa tem trabalhado para reduzir o prazo para avaliação dos pedidos de certificação. “Se o produto for eficaz e menos tóxico, o agricultor passará a adotá-lo. Até porque além de diminuir os riscos à saúde humana e ao meio ambiente, os defensivos biológicos são mais baratos, o que diminui o custo da produção”, ressaltou.

Belo Horizonte usará óleo de nim para salvar os fícus do centro histórico


 
Óleo de nim, que deu certo em outras áreas, foi aplicado ontem em 50 árvores doentes da Avenida Barbacena

Clarisse Souza, do Estado de Minas

Depois de uma série de testes em folhas e árvores de pequeno porte, o inseticida orgânico óleo de nim começou a ser aplicado nessa seguna-feira em 50 fícus doentes na Avenida Barbacena, no Bairro Barro Preto, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, por agentes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA). Desfolhadas, com galhos e troncos secos, as árvores sofrem há meses a infestação da mosca-branca-do-fícus (Singhiella sp.), praga milimétrica que suga a seiva da planta e pode causar a morte do espécime. Na semana que vem, o tratamento será intensificado com a pulverização de um fungo patogênico que, segundo a secretaria, é capaz de colonizar e matar o inseto.

A aplicação do inseticida é a primeira ação de controle da mosca-branca desde que a praga foi detectada nos fícus na capital. Até a semana passada, só haviam sido feitos testes para comprovar a eficácia do óleo de nim e do fungo Beauveria bassiana. Os experimentos se concentraram principalmente nos exemplares atacados na praça da Catedral da Boa Viagem, no Funcionários. Na sexta-feira, foi feita uma avaliação dos resultados, que comprovou a eficácia do óleo nas árvores doentes. Segundo o engenheiro agrônomo Dany Sílvio Amaral, da SMMA, antes da aplicação do inseticida,foram detectadas uma média de 16 ninfas da mosca (etapa anterior à fase adulta) em cada folha. Depois de duas pulverizações do inseticida, feitas em um intervalo de 15 dias, esse número caiu para 0,3.

Nessa segunda-feira, a pedido da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil, a BHTrans bloqueou a Avenida Barbacena entre a Avenida Augusto de Lima e a Rua dos Timbiras. Um caminhão equipado com um atomizador começou o trabalho de pulverização das copas e do terço superior dos troncos dos fícus. O óleo atua principalmente contra os insetos jovens, que têm o crescimento prejudicado pelo inseticida e acabam morrendo antes de atingir a fase adulta. O trabalho na Barbacena será realizado até sexta-feira e a previsão é de que todas as árvores afetadas no Barro Preto, na Catedral da Boa Viagem e na Avenida Bernardo Monteiro, na região hospitalar, sejam tratadas até agosto.

Outra forma de controle que se mostrou eficaz foi o uso de adesivos amarelos presos ao tronco dos fícus. A cor atrai as moscas, que ficam presas e morrem, já que não podem se alimentar. As placas já estão sendo usadas nas árvores no Barro Preto e devem contribuir para a redução da população da praga.

A infestação já matou pelo menos 13 fícus em Belo Horizonte. A ação da praga sugadora atingiu os galhos e troncos de cinco árvores na Avenida Barbacena e oito na Avenida Bernardo Monteiro. Segundo o engenheiro agrônomo da SMMA, elas foram podadas devido ao risco de queda. Dany Sílvio garante, no entanto, que nenhum fícus será cortado. Ambientalistas que defendem a preservação dos espécimes continuam a questionar as podas. Ontem, uma das árvores da Barbacena foi usada para protestar. Uma pessoa não identificada fez uma colagem simulando a marcação de corte do tronco da árvore e deixou a frase: “Corte aqui, se não tem amor à vida”.

A integrante do movimento Fica Fícus, Patrícia Caristo afirma que o grupo vai continuar fazendo avaliações paralelas para evitar podas desnecessárias. “Não concordamos com a forma como a prefeitura tem lidado com o problema. Acreditamos que a poda fragiliza as árvores antigas e está aumentando o risco de morte”, afirma. No sábado, o movimento vai realizar mais um Piquenique do Fica-Fícus”, na Avenida Bernardo Monteiro, para cobrar agilidade no tratamento da espécie.

Saiba mais

UMA PRAGA MILIMÉTRICA

Os primeiros exemplares da mosca-branca-do-fícus foram detectados nas árvores de BH em julho do ano passado. A praga milimétrica atingiu espécies nas regionais Leste e Centro-Sul, o que fez com que a prefeitura criasse uma comissão especial, formada por profissionais da SMMA, Defesa Civil e outros órgãos, para encontrar uma solução para o problema. Podas preventivas foram realizadas nos primeiros meses do ano, mas a demora para a liberação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária do uso do óleo de nim acabou atrasando o tratamento. Em abril, o Ministério Público estadual chegou a entrar na discussão e cobrou esclarecimento sobre os critérios utilizados para a realização das podas e possíveis supressões.

Abaixo-assinado contra agrotóxicos será entregue a Dilma Rousseff nesta quarta

Campanha quer o fim da importação, produção e comercialização do endosulfan, cihexatina e metamidofós, proibidos em outros países.

Por Cida de Oliveira, Rede Brasil Atual
São Paulo – A Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida vai entregar hoje (10), em Brasília, um abaixo-assinado pela proibição imediata no país de toda importação, produção e comercialização de agrotóxicos e substancias já proibidas em outros países. São eles o endosulfan (banido em 45 países), a cihexatina (proibida na União Europeia, na Austrália, Canadá, Estados Unidos, China, Japão, Líbia, Paquistão e Tailândia), e metamidofós (vetados, por exemplo, na União Europeia, China, Índia, e Indonésia).

Todos são altamente tóxicos. Segundo estudos, causam danos ambientais e à saúde humana, provocando má formação de fetos, problemas reprodutivos, infertilidade, alterações neurológicas e no fígado, desregulação hormonal, cegueira, paralisia, depressão e ainda contribuem para o aparecimento de diversos tipos de câncer. Esses venenos atingem os agricultores rurais, moradores das regiões próximas às lavouras e a população em geral, que consome esses alimentos contaminados. Recentemente, a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) publicou um dossiê virtual que alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde.

 "As mesmas empresas que em seus países de origem acatam a proibição do veneno que produzem, empurram para cá o que lá não podem vender e ainda fazem pressão contra a proibição desses produtos", disse o agricultor Cleber Folgado, da coordenação da campanha.

Segundo ele, pelo sexto ano consecutivo o Brasil lidera o ranking mundial dos maiores consumidores de agrotóxicos. Em 2010, foram comercializados no país  mais de 1 milhão de toneladas, o equivalente a cinco quilos do veneno por habitante. A triste liderança começou entre 2001 e 2008, quando as vendas passaram de US$ 2 bilhões para mais de US$ 7 bilhões. No mesmo período, a área cultivada por alimentos aumentou só 4,59%.

 A coordenação da campanha pretende entregar as mais de 40 mil assinaturas aos componentes da mesa de abertura de seminário que discutirá os avanços e desafios da agricultura familiar nos últimos dez anos. "Queremos chamar a atenção para o fato de que um país que avança em políticas para a agroecologia não pode conviver com venenos proibidos em diversos países", disse Folgado. Conforme ele, o banimento de produtos já banidos no exterior é um primeiro passo para o banimento de todo agrotóxico.

Desde 2011, a Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida trabalha pela sensibilização da sociedade para os riscos desses produtos e em busca de medidas para banir o uso. Dela participam 50 entidades, entre as quais a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), o Instituto Nacional do Câncer (Inca), Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), as universidades Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e do Ceará (UFC), Via Campesina, movimentos dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) e Atingidos por Barragens (MAB), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Conselho Federal de Nutricionistas e Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).


Universidade do Mississipi e Embrapa estudam estratégias de descobrimento de novos pesticidas naturais

Embrapa

A Universidade do Mississipi, pelo Programa Ciência sem Fronteiras e os Laboratórios de Microbiologia Ambiental e de Química da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) iniciaram em 2013 um projeto que irá desenvolver novos pesticidas naturais ou mesmo medicamentos.

Conforme Antonio Cerdeira, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente e participante do projeto, depois de coletar plantas, raízes e até o solo, esse material é fotografado e identificado e segue para o laboratório para análise.

Como exemplo, Cerdeira cita o descobrimento de uma planta usada para produção de medicamentos contra leucemia pela Universidade de Mississipi.

“Esse remédio é extraído de uma planta da Índia e como resultado do trabalho da Universidade, foi descoberta uma espécie relativa do mesmo gênero, que, extraída nos EUA, mostrou possuir esse mesmo composto, o podofilotoxina”.

“Além disso, foi descoberto também que esse composto está na folha dessa planta. A equipe, então, desenvolveu meios de cultura de tecido eficiente de reprodução para conseguir o composto específico, sem danificar a natureza”.

Nessa parceria com a Embrapa, há também um estudo desenvolvido pela doutoranda Suikinai Nobre, orientada por Itamar Melo, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, que busca na Caatinga compostos em micro-organismos (fungos e bactérias) endofíticos similares ao de uma planta da África que já demonstrou ser eficiente para tratar alguns tipos de cânceres.

A diversidade genética dos ecossistemas tem sido usada para solucionar problemas na área da saúde, da agricultura e do meio ambiente”, diz Suikinai. “Deve-se lembrar que a Caatinga é um bioma exclusivo do Brasil, não existindo em nenhum outro lugar espécies tão distintas , adaptadas ao estresse hídrico, intensa radiação solar e altas temperaturas e praticamente intocado quanto a descoberta de produtos biologicamente ativos”.

Depois de avaliar plantas do gênero Combretum, a estudante constatou que a planta brasileira, que pode ser encontrada em cinco estados da região do semiárido (Bahia, Piauí, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte) não produz o mesmo composto da planta-irmã da África, mas produz outras substâncias e compostos que também apresentam atividade anti-câncer. “Interessantemente, fungos endofíticos associados a essas plantas demonstraram ser potentes produtores se substâncias anticancerígenas. As pesquisas foram impulsionadas pela descoberta de possíveis novos compostos com tais propriedades, além de que muitos desses fungos isolados também apresentam atividade antifungicida”, explica Melo.

E em 14 de março foi discutido na Embrapa o uso de sistema de informação geográfica (SIG) para a domesticação e conservação de plantas medicinais sobre o estudo da Mayapple Americana. Esse seminário apresentou a experiência da Professora Rita Moraes, da Universidade do Mississipi, sobre a criação de um banco de dados de Podophyllum peltatum germoplasma com rendimento de drogas no Mississippi para a utilização racional dos nossos recursos naturais.

A distribuição in situ da Mayapple Americana (Podophyllum peltatum L.) foi estudada por meio do SIG com o objetivo de desenvolver um método para analisar fatores bióticos e abióticos que influenciam o rendimento de drogas e mapear os genótipos de elite para a propagação e melhoramento.

A avaliação de campo usou um procedimento padrão, incluindo coordenadas geográficas de cada coleta, a massa de folhas colhidas aleatoriamente, identificação de espécies associados, a coleta de material de herbário, amostra de solo e imagens digitais dos locais. Ao sobrepor dados morfológicos e químicos com informações geomorfológicas, um mapa temático foi criado para localizar os acessos ricos em podofilotoxina com as particularidades de cada local.

Portanto, atividades e protocolos semelhantes aos destes exemplos estão sendo desenvolvidos nesse projeto de cooperação.

Nim auxilia o controle da fusariose na produção de mudas

Por Romina Lindemann, diretora-executiva da Fazenda Preserva Mundi – www.preservamundi.com.br
 
A
zadirachta Indica pode soar um pouco estranho para alguns, mas este é nome científico do nim, árvore de origem indiana que há mais de 4 mil anos é utilizada nos mais diversos tratamentos. Por este motivo, desperta grande interesse da classe científica, inclusive na produção de mudas. A principal substância ativa do nim é a azadirachtina, sendo que outros triterpenoides, geduninas, nimbin e liminoides atuam em conjunto na ação inseticida.

A pós-doutora em química orgânica e professora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Maria Fátima das Graças Fernandes da Silva, aponta que cerca de 400 espécies de insetos foram relatadas em pesquisas como sensíveis a algum tipo de ação do nim. "Além desse tipo de ação, o nim tem efeitos sobre outros organimos, como nematóides, fungos, vírus, protozoários", diz, explicando que o produto, que atua como bioinseticida, se revela praticamente inócuo ao ambiente e ao homem.

Na produção de mudas de praticamente todas as espécies (frutíferas, hortaliças, reflorestamento etc), o nim tem se mostrado uma alternativa importante e de baixo custo para proporcionar melhor desenvolvimento do sistema radicular e da parte aérea das plantas, promovendo melhor aspecto fitossanitário.

Em média, a utilização do pó de nim na proporção de 1% a 5% no substrato é suficiente para auxiliar na proteção contra fungos do solo e insetos subterrâneos, favorecendo o desenvolvimento das raízes e o combate de pragas como o fusarium.

Fusariose

O controle da fusariose é difícil, por se tratar de um patógeno que pode sobreviver por longos períodos no solo e não se dispor de tratamentos biológicos satisfatórios.

Recentemente, a Embrapa Amazônia Oriental (Belém-PA) comprovou que a incorporação de folhas de nim indiano no solo ainda na fase de produção de mudas da pimenteira-do-reino (Piper nigrum L.) permite que as mesmas sejam transplantadas para o campo totalmente livres da fusariose, combatendo, assim, um dos mais antigos, maiores e graves entraves desse setor produtivo no País. A doença, também conhecida por podridão de raízes, dizima pimentais e causa prejuízos que não ocorrem no exterior, pois em outros países produtores está sob controle.

A doença é causada por um fungo presente no solo, o Fusarium solani f. sp. piperis. Não há cultivares comerciais resistentes, nem tratamento químico eficaz contra o fusarium. Isso potencializa ainda mais os benefícios da nova tecnologia, especialmente entre agricultores familiares e pequenos produtores, pois é de fácil aplicação e baixo custo.

O controle alternativo da fusariose em mudas permite a implantação de novos pimentais com material propagativo sadio, retarda o aparecimento natural da doença no campo e diminui sua disseminação para novas áreas de plantio.

Os resultados da pesquisa estão publicados no Comunicado Técnico “Tecnologia para o controle da podridão de raízes  em mudas de pimenteira-do-reino”.

O mesmo tipo de resultado foi encontrado pelo pesquisador Gilson Soares da Silva da Universidade Federal do Maranhão. No trabalho, ele procurou avaliar o efeito da incorporação de folhas trituradas de nim ao solo, sobre o complexo Fusarium x Meloidogyne em quiabeiros.

O resultado: em todos os tratamentos onde se usou folhas de nim houve redução na incidência da doença, evidenciada pela percentagem de controle. A incorporação de 50g de folhas frescas de nim foi  eficiente para o  controle de Meloidogyne e Fusarium isoladamente, bem como  na interação desses patógenos.

O controle da fusariose e nematóides se dá também na produção de leguminosas como a soja e o feijão.

Outro caso bastante conhecido e divulgado é o do Engenheiro Agrônomo e produtor rural Élton Vargas, proprietário do viveiro Tekoá, em Águas Mornas (SC). Reconhecido como um dos pioneiros do uso do nim na composição do substrato para a produção de mudas, ele relata que passou a ter um controle mais efetivo de pragas que atacam as folhas e raízes, e que o enraizamento se tornou mais saudável e vigoroso.

Vargas tem utilizado o nim na produção de mudas de hortaliças e eucalipto. "O resultado foi impressionante, e as mudas tiveram um enraizamento fantástico, resultando em uma ida mais cedo para o local definitivo de plantio. E o mais importante de tudo, tive uma eficácia de 95% no controle de larvas de Fungus gnatis", afirma o produtor.

Diversas pesquisas têm demonstrado que a adição ao solo de produtos derivados do nim (Azadirachta indica Juss) tais como folhas, óleo e torta reduzem consideravelmente a incidência de fitonematóides e de alguns fungos fitopatogênicos.

A busca por métodos alternativos de manejo das doenças da agricultura vem aumentando nos últimos anos, em decorrência dos efeitos nocivos que os defensivos agrícolas provocam ao meio ambiente e à saúde humana. Diante disso, os produtos à base de nim podem se tornar um poderoso aliado na busca por uma agricultura limpa e sadia.

* Artigo originalmente publicado no site Paisagismo Digital -

http://www.paisagismodigital.com/Noticias/default.aspx?CodNot=289&CodSecao=3

Marcas de defensivos biológicos em 2013 é mais que o dobro de 2011

Do Mapa

Com as 16 novas marcas de agrotóxicos biológicos registrados pelo Ministério da Agricultura em 2012, contabilizam-se hoje, ao todo, 88 marcas comercializadas dos produtos no Brasil, mais que o dobro de 2011, quando havia apenas 41 marcas de biológicos. Das 16 marcas registradas no ano passado, 16% foram de agrotóxicos biológicos e 5,6% de químicos.

Os números refletem o interesse do governo em incentivar cada vez mais o produtor rural a utilizar produtos biológicos - menos agressivos à saúde humana e ao meio ambiente - no combate às pragas que atacam as lavouras.

Como prioridade em registrar os produtos biológicos, o governo federal pretende ampliar o uso de praguicidas desse tipo, além de reduzir o prazo para avaliação dos pedidos de certificação de produtos eficazes e menos tóxicos, de modo que os produtores passem a adotá-los. O registro de agrotóxicos biológicos costuma ser aprovado em menos tempo que o de um agroquímico. Enquanto o processo de registro convencional pode levar até cinco anos, o de um agente biológico tramita sob prioridade e pode ser finalizado em até 60 dias.

As exigências da legislação da agricultura orgânica permitiram agilizar ainda mais o registro dos agrotóxicos biológicos. Para incentivar ainda mais o uso de pesticidas biológicos, o governo estabeleceu, em 2010, a venda livre (sem receita agronômica) destes produtos para a agricultura orgânica.

A lista dos agrotóxicos registrados está disponível no endereço eletrônico www.agricultura.gov.br, link serviços – agrotóxicos/Sistema Agrofit. Os interessados em registrar produtos biológicos devem enviar e-mail para agrofit@agricultura.gov.br.

Embrapa promove o Workshop Insumos para Agricultura Sustentável

Da Redação


A Embrapa Clima Temperado promove o Workshop Insumos para Agricultura Sustentável no período de 27 a 29 de novembro de 2012, o qual visa apresentar aos participantes as principais pesquisas desenvolvidas e em desenvolvimento na área de agrominerais, fertilizantes orgânicos e fitoprotetores, contemplando: a prospecção de potenciais insumos, suas formas de utilização, as avaliações para segurança ambiental e alimentar de seu uso e as normas para registro de novos insumos.

Serviço
Workshop Insumos para Agricultura Sustentável
Data: 27 a 29 de novembro de 2012.
Local: Embrapa Clima Temperado, Pelotas/RS


Maiores informações no site do evento através do link - http://www.cpact.embrapa.br/eventos/2012/workshop_insumos/index.php 

A união para enfrentar o uso abusivo de agrotóxicos

Inca, Anvisa e Fiocruz se unem no combate aos agrotóxicos

Da Agência Fiocruz de Notícias

A troca de conhecimentos entre as áreas de saúde, meio ambiente e agricultura e a união de esforços de diferentes instituições para o enfrentamento do uso abusivo de agrotóxicos foram os principais ganhos do Seminário Agrotóxicos e Câncer, realizado nos dias 7 e 8 de novembro na sede do Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Centro do Rio de Janeiro. Promovido pelo Inca e a Fiocruz - órgãos do Ministério da Saúde - e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) - o evento contou com a participação de especialistas de órgãos de outras áreas, como os ministérios do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário.

No primeiro dia (7/11), pesquisadores da Anvisa, da Uerj, da Universidade Federal do Ceará, da Universidade Federal de Pelotas, da Fiocruz, do Inca e da organização Rede Ecológica discutiram a contribuição dos agrotóxicos nos casos de câncer no Brasil e os impactos da exposição aos agrotóxicos na população brasileira. O consumo consciente e as alternativas para o consumidor também foram pontos de pauta.

Na manhã do segundo dia (8/11), o vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (VPAAPS/Fiocruz), Valcler Rangel, coordenou a mesaRegulação e monitoramento de resíduos de agrotóxicos em alimentos. Rangel ressaltou que o evento consolida a parceria da Fiocruz com o Inca, que participou de seminário sobre o mesmo tema em maio na Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz). "Esta sequência de iniciativas potencializam a geração de conhecimento e capilarizam conclusões, contribuindo para dar mais impacto sobre as políticas", disse.

Rangel afirmou que a população espera uma atuação coordenada e potencializada pelas diversas áreas de conhecimento e lembrou que a Fiocruz está engajada na campanha de enfrentamento aos agrotóxicos.

Os ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e do Trabalho, apesar de convidados, não enviaram representantes, o que frustrou a plateia, formada em grande parte por produtores rurais e membros de organizações da sociedade civil que promovem a agroecologia e a agricultura familiar. Profissionais de saúde do Inca, da Fiocruz e do Ministério Público Federal e Estadual também prestigiaram o evento.

Pimentão tóxico

Heloisa Rey Farza, da Gerência Geral de Toxicologia da Anvisa, abordou o Programa de Análise de Agrotóxicos em Alimentos da Anvisa (Para), que avalia amostras de produtos no mercado. O pimentão é o caso mais grave: 91,8% das amostras apresentam quantidade de agrotóxicos maior do que o permitido ou produtos proibidos para o pimentão. Segudo ela, o morango e o tomate variam de qualidade - quando a Anvisa divulga que está ruim, tende a melhorar, e depois volta a piorar. “As coisas não estão mudando muito. Saiu da boca do povo, o veneno volta”, lamentou.

Heloisa contou que quando o problema é muito grave, a Anvisa informa o Ministério da Agricultura e a Polícia Federal para que tomem providências. Supermercados são multados e tenta-se rastrear o produtor, para a implementação de coletas e análises fiscais. Também são publicadas novas normas técnicas e desenvolvidos programas locais de informação e formação, que, para Heloisa, são os principais fatores para mudanças. Ela recomenda a criação de foruns. “A sociedade precisa se mobilizar para chegar até o produtor. Ele não tem informação sobre agrotóxicos, pelo contrário, tem informação errônea, dada pelas indústrias que vendem os produtos”, disse.

Questionada pelo público sobre a razão de a Anvisa não evitar tamanha contaminação dos alimentos, ela explicou que o Ibama, o Mapa e a Anvisa são responsáveis pelos agrotóxicos. “A Anvisa cuida da saúde da população. O controle do uso do agrotóxicos é dever do Mapa”, esclareceu, acrescentando que o Ministério do Trabalho também deveria se preocupar com a saúde do trabalhador rural. “Cobrem do Mapa e do Ministério do Trabalho, e de nós o que nós temos que fazer”, finalizou.

A importância da educação no desafio da transição para a produção agroecológica foi destacada por Christianne Belinzoni, da Secretaria de Agricultura Familiar do Ministério do desenvolvimento Agrário (MDA). Para ela, o desenvolvimento rural sustentável deve usar a tecnologia para melhorar a produção e a qualidade de vida.

“Precisamos formar mais técnicos para apoiar o produtor no campo. Ninguém quer produzir na base do veneno. Temos que brigar para que no currículo dos agronomos haja a disciplina agroecologia, em vez de obrigá-los a decorar princípio ativo de veneno”, disse. Ela também ressaltou a necessidade de se informar os consumidores. “O consumidor deve ser empoderado. A sociedade civil tem uma força muito grande”, opinou.

Representando o Departamento de Qualidade Ambiental da Secretaria de Desenvolvimento Rural do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Sergia de Souza Oliveira abordou os principais impactos dos agrotóxicos no meio ambiente. “Os agrotóxicos são persistentes no meio ambiente, acumulando-se em rios e mares, contaminando peixes e outras formas de vida e provocando efeitos adversos na saúde humana”, informou.

Entre os principais problemas a serem contidos ela citou o uso indevido de produtos químicos, a alta toxidade, a falha na proteção do trabalhador e a exposição direta e indireta do meio ambiente e da população. Ela admitiu ser necessário aperfeiçoar os mecanismos de controle e que há uma deficiência da informação. Segundo Sergia, qualquer um dos três setores - Saúde, Agricultura e Ambiente - pode vetar um produto.

“Nossa legislação é moderna, rigorosa e sintonizada com outros países. A política de agroecologia recém-sancionada é um grande avanço. Grandes e pequenos produtores usam agrotóxicos, mas podem utilizar a agroecologia. O questionamento sobre o modelo de produção agrícola deve ser feito permanentemente, de forma racional e madura”, disse.

Ela reconhece, entretanto, que não é simples mudar da produção convencional para a limpa e que a proibição gera um mercado ilegal paralelo difícil de ser enfrentado. “O enfrentamento do agrotóxico deve ser um trabalho multisetorial e multiparticipativo”, concluiu.

O diretor do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador (SVS/MS), Guilherme Franco Netto, apresentou dados que mostram que em cinco anos, de 2005 a 2010, o volume de agrotóxico mais que dobrou. De 8.500 áreas descritas como contaminadas, 30% são contaminadas com agrotóxicos. “A intoxicação por agrotóxicos é a segunda maior causa de intoxicações exógenas. A maioria delas - 53% - é causada por inceticidas”, revelou.

Ele adiantou que ainda este ano será lançada uma portaria que deslanchará o processo de implamentação de vigilância epidemiológica no SUS, incluindo ações de proteção e promoção da saúde, a investigação dos casos e surtos e a estruturação de um sistema para responder às emergências em saúde. Nove estados com maiores demandas serão priorizados (PR, SP, MG, MT, GO, RS, SC, BA, e MS) e receberão um milhão de reais por ano, durante três anos. A partir de 2013, os outros estados começarão a receber verbas de R$ 800 mil ou R$ 900 mil e até o fim de 2014 a portaria deverá estar implantada nas 27 Ufs. Em 2015, será feita a avaliação.

Vários participantes do seminário, preocupados com a continuidade do trabalho que vem sendo desenvolvido na Anvisa de proteção da saúde da população brasileira e de luta contra o uso abusivo de agrotóxicos, manifestaram solidariedade ao profissional Luis Cláudio Meirelles, coordenador da Gerência Geral de Toxicologia da Anvisa (GGTox), diante da recente notícia de sua exoneração do cargo.

Brasileiro ingere 5 kg de agrotóxicos por ano, diz presidente da Asbraer

Agência Senado

Agrônomos estão sendo contratados por empresas do ramo de agrotóxicos e fertilizantes com salários atrelados à metas de venda desses produtos a agricultores. O alerta foi dado em debate realizado ontem (08/11/12) na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) pelo senador Waldemir Moka.

Ele se mostrou preocupado com o desvirtuamento da profissão, cujo papel é o de orientar os produtores rurais sobre as melhores técnicas de plantio, inclusive do ponto de vista ambiental e da saúde humana e animal.

"Se temos jovens agrônomos que recomendam agrotóxicos a mais, com o objetivo de ter salário maior, é muito grave, pois deveriam estar orientando para o uso mínimo. Me soou como um alarme. Vou apresentar proposta de legislação severa contra esse tipo de comportamento" frisou o senador.

Tanto Helinton Rocha, assessor do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) como o presidente da Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural (Asbraer), Júlio Zoe de Brito, confirmaram a prática, especialmente entre agrônomos contratados por grandes empresas que vendem agrotóxicos e outros insumos agrícolas.

Conforme o presidente da Asbraer, o Brasil está entre os maiores consumidores per capta de agrotóxicos do mundo. "Cada um de nós consumimos 5,2 quilos de agrotóxicos por ano, o que representa nove bilhões de dólares", observou.

Governo estuda criar agência de orientação técnica ao agricultor

Dois de cada três agricultores familiares brasileiros realizam suas atividades agropecuárias sem qualquer orientação técnica e, mesmo onde o serviço de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) chega, o atendimento é falho e deficitário. Essas fragilidades na disseminação do conhecimento ao campo foram apontadas em debate realizado ontem na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado Federal.

Para reestruturar no país um sistema de extensão rural capaz de suprir as necessidades de orientação aos agricultores, o governo discute a criação de uma agência voltada a esse serviço, conforme informou o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro. "Os debates estão avançados. É fundamental que a extensão rural volte a ter no Brasil o papel fundamental que já teve", frisou ele.

O país já contou com um sistema de abrangência nacional, desmantelado com a extinção, nos anos 90, da Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural (Embrater), então responsável pela coordenação do serviço. Desde então, o atendimento aos agricultores varia de estado para estado e mesmo entre os municípios. Governos estaduais oferecem os serviços conforme suas prioridades e disponibilidades orçamentárias, resultando em grande variação quanto à qualidade e cobertura dos serviços.

Algumas prefeituras disponibilizam equipes de atendimento aos produtores, mas geralmente em pequeno número e com limitada capacidade de atuação. Em algumas regiões, os agricultores também contam com organizações não governamentais que atuam ofertando orientação técnica.

Autor do requerimento para realização do debate, o senador Waldemir Moka (PMDB-MS) defendeu a alocação de recursos de emendas ao Orçamento da União para reestruturar os serviços de extensão rural, de forma a assegurar que o conhecimento gerado pela pesquisa chegue aos produtores rurais.

A importância desse conhecimento foi destacada por Valter Bianchini, secretário de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Conforme informou, a produtividade de um agricultor que recebe assistência técnica é de três a cinco vezes maior que a produtividade daquele que não é assistido.

Entre os desafios da nova agência, ele citou a necessidade de renovação dos quadros das empresas de extensão rural (cerca de 15 mil extensionistas), uma vez que boa parte deles tem mais de 50 anos de idade.

No mesmo sentido, Júlio Zoe de Brito, presidente da Asbraer, alertou para a limitação da abrangência dos serviços existentes no país. "Cerca de 2,6 milhões de agricultores nunca viram um extensionista. Precisamos ter um projeto para fazer chegar extensão rural a todos", disse.

Ao comentar as discussões em torno da nova agência, Helinton Rocha, assessor do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento disse que a nova estrutura deverá ser capaz de fazer frente aos desafios atuais da agropecuária e atuar em sintonia com as demandas do setor.

"Não se trata de recriar a Embrater, porque a realidade hoje é completamente diferente", disse, ao defender a adoção de instrumentos de informação e comunicação capazes de reduzir o tempo para que o conhecimento seja levado ao agricultor.

Na avaliação do presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Mauricio Lopes, a agência de extensão rural, em integração com a pesquisa, terá pela frente o desafio de promover a produção de alimentos cada vez mais nutritivos e funcionais, a partir de processos poupadores de energia e água, além de pouco poluentes.

"Há uma pressão muito forte para a descarbonização das economias. A agricultura precisará dar sua contribuição, pois ainda é carbonizada e contribui para emissão de gases de efeito estufa. Temos que desenvolver novas práticas para que nossa agricultura não seja penalizada nos mercados internacionais" disse Lopes.

Também participaram do debate os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP), Casildo Maldaner (PMDB-SC) e Tomás Correia (PMDB-RO).

FONTE

Iara Guimarães Altafin - Jornalista

Na Paraíba, agricultora morre vítima de agrotóxicos

Após trabalhar nos plantios de tomate no interior paraibano, mantendo contato direto e intensivo com agrotóxicos, a jovem agricultora Rosália Barbosa de Souza, de 23 anos, grávida e mãe de mais dois filhos, foi vítima de Aplasia Medular.

A reportagem é de Patrícia Ribeiro e publicado pelo portal da Articulação do Semi-árido – ASA, 17-10-2012.

A agricultora Rosália Barbosa de Souza, de 23 anos, morreu no último dia 18 de julho, vítima da doença Aplasia Medular, adquirida após trabalhar por anos no cultivo de tomate em lavouras na região de Cubati, no estado da Paraíba. Grávida, ela manteve contato direto com agrotóxicos e foi vítima de Aplasia Medular, uma doença autoimune que resulta numa anemia profunda comprometendo todos os tipos de células do sangue. O bebê foi salvo por médicos que a acompanhavam no Instituto Materno Infantil (IMIP), no Recife (PE), após indução de parto prematuro.

O pai da agricultora, o senhor Damião Barbosa de Souza, conta que ela apresentou manchas na pele e sangramento na gengiva quando estava grávida do seu terceiro filho. “Ela trabalhou na plantação de tomate e ainda chegou a apanhar tomate. O marido dela também trabalha. Era ela que lavava a roupa dele quando ele chegava. Tudo isso é contato, né? Quando ela ia lavar roupa, chegava a sair aquela água diferente do veneno. Devido ela estar amamentando também, e depois ter engravidado, a imunidade estava baixa, aí ficou mais fácil pra doença”, relatou.

Após seis meses de gravidez, com o estado de saúde agravado, Rosália foi transferida para o IMIP, onde ficou internada e foi submetida a exames. No laudo médico consta como causa da morte Hemorragia pulmonar e aplasia de medula óssea.

“O momento da gravidez é um momento delicado quando o corpo da mulher engendra um enorme esforço para gerar e nutrir um novo ser. A medula óssea é demandada a produzir mais sangue, tanto que é muito comum que as mulheres apresentem anemia leve neste momento. Passa a ser um momento então que a medula estaria mais vulnerável a agressões externas o que poderia ter contribuído para a doença. Por outro lado, os agrotóxicos podem gerar más-formações e até morte do feto”, contou a professora do curso de medicina da Universidade Federal de Campina Grande em Cajazeiras (UFCG/PB), Ana Carolina de Souza Peiretti.

Ainda segundo a docente, a doença faz com que as defesas do corpo passem a atacar as células da medula óssea onde o sangue é produzido. Além do uso de agrotóxicos, medicamentos, radiação, vírus, drogas e agentes químicos também podem causar a toxidade medular.

O companheiro de Rosália, o agricultor Marizaldo Pereira Alves, conta que apesar do nascimento prematuro e das adversidades da gestação, a criança está bem e não apresenta nenhuma complicação.

Iniciativas de enfrentamento

Desde abril de 2011, quando foi lançada a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, movimentos sociais, grupos ambientais e demais organizações tem desenvolvido inúmeras ações de conscientização, enfrentamento e denúncia contra 07 empresas multinacionais, que controlam mais de 70% do mercado de agrotóxicos no Brasil (Monsanto, Syngenta, Bayer, Novartis, Dupont, Basf e Dow), as quais estão diretamente ligadas ao grupo da bancada ruralista no senado.

Embora as ações se depararem com a omissão, negligência e mesmo a conivência do Estado, os movimentos sociais ainda enfrentam o silêncio das grandes mídias sobre questões relacionadas ao problema do uso intensivo e indiscriminado dos defensivos químicos.

O Brasil atualmente é o campeão mundial no uso de agrotóxicos. Por ano, cada brasileiro consome cerca de 5 litros de agrotóxicos. Em consequência desse consumo absurdo de veneno, milhões de pessoas adquirem câncer e morrem anualmente, sem nenhum tipo de repercussão no noticiário da grande mídia.

Além disso, na maioria dos casos de morte em consequência dessas doenças, mesmo com a comprovação de exames clínicos, profissionais de saúde se negam a atestar nos laudos médicos a causa da morte como consequência do uso de agrotóxicos.

Recentemente a Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (ABRASCO) lançou o dossiê “Um alerta sobre os impactos dos Agrotóxicos na Saúde”, o qual confirma através de evidências científicas diversas doenças resultantes da exposição, contato, uso e consumo de componentes químicos encontrados em diversos grupos de agrotóxicos consumidos no país.

Avanço do agronegócio na região semiárida da Paraíba

A comunidade rural Prainha, do município de Cubati, localizado a 66,5 km de João Pessoa (PB), ainda é caracterizada pela resistência da agricultura familiar. Pequenas propriedades rurais tentam sobreviver em meio à falta de incentivos dos poderes públicos, o que na maioria das vezes força os agricultores e agricultoras a se submeterem as pressões do agronegócio.

Trabalho informal, baixa remuneração e falta de segurança são algumas das dificuldades enfrentadas. Os agricultores e agricultoras trabalham semanalmente, ou de acordo com o período da produção nas plantações de tomate e na mineração. Embora sejam proprietários de terra, ainda assim, são obrigados (pela necessidade financeira) a arrendar suas propriedades para a monocultura à base de agrotóxicos.

Para além do caso de Rosália Barbosa de Souza, que veio a óbito por ter mantido contato permanente com os agrotóxicos enquanto trabalhava na produção de tomate, o descaso do poder público sobre as questões dos direitos trabalhistas vem ocorrendo com frequência em todo o estado. É recorrente os casos de irregularidades jurídicas, exploração, trabalho infantil, acidentes, falta de equipamento de proteção e negligência dos direitos trabalhistas.

Nos casos de arrendamentos de terras, além dos riscos à saúde da terra e das pessoas que permanecem residindo próximas aos plantios, a contratação é feita sem nenhuma segurança, não existe nenhum tipo de documentação ou registro do contrato. Do plantio à colheita, a família fica impedida de, até mesmo, entrar na área cultivada. Ao fim da colheita, após quatro meses, o proprietário da terra recebe a quantia de R$ 1.000,00 (um mil reais) por cada hectare arrendado.

O período de colheita dos tomates envolve toda a comunidade no trabalho. Homens, mulheres, adultos, jovens e crianças são levadas às plantações e recebem, ao fim do dia, cerca de R$ 25,00 pela diária de trabalho.

A mãe da jovem Rosália Barbosa, dona Maria de Sueli Lima Souza, comenta revoltada que mesmo após a morte de Rosália, um de seus filhos continua insistentemente trabalhando nas plantações de tomate. “Eu estou com um menino com o mesmo problema, trabalhando dentro da tomate. Eu já pedi, o pai já pediu pra ele sair, porque eles trabalham sem proteção nenhuma, mas ele não quer atender a gente. Diz que é o ganho que tem, que não pode sair”, revelou.

De acordo com a professora de medicina da UFCG em Cajazeiras/PB, Ana Carolina de Souza Pieretti, aparentemente, este não tem sido um tema de preocupação do Conselho Federal de Medicina. “O órgão que mais tem tomado à frente nestas discussões tem sido a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), mas ainda apresenta dificuldade em refrear o uso de agrotóxicos pelo grande poder econômico, tanto das empresas produtoras quando do agronegócio”, disse. Na opinião da docente deve haver mais estudos e uma regulamentação mais forte, além da discussão na sociedade de que modelo de produção agrícola é bom para a saúde das pessoas.

Movimentos e organizações sociais ligadas à agricultura familiar camponesa lutam contra o avanço do modelo de desenvolvimento do agronegócio na região semiárida do país. No entanto, a luta ainda é bastante desigual, e se torna inviável garantir o enfrentamento apenas com ações de acompanhamento e assistência técnica às famílias agricultoras. É o que aponta a representante da Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA Brasil), Maria da Glória Batista. “Temos trabalhado com a disseminação de iniciativas, dos cultivos, da criação de animais integrada e valorizando a biodiversidade local no desenvolvimento do semiárido com base na agroecologia, a exemplo do resgate das sementes nativas, dos animais nativos e adaptados, da recuperação, conservação e manejo da biodiversidade local”.

Dessa forma, as manifestações populares tem se tornado um instrumento de enfrentamento com capacidade de chamar a atenção dos poderes públicos e da sociedade, sobre os principais problemas enfrentados no campo. Nesse sentido, as organizações e movimentos sociais cumprem com o papel significativo no processo de articulação e conscientização política. Maria da Glória, acrescenta, ainda, que do ponto de vista político, vem sendo feito um trabalho junto às organizações, com a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, e demais campanhas contra qualquer iniciativa voltada para o agronegócio. “Um desafio que surge para todas as organizações desse campo, não só para a ASA, é articular, buscar diálogos e convergências junto às organizações para o enfrentamento ao agronegócio de forma coletiva”, concluiu.

publicado pela IHU On-line, 19/10/2012
[IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo, RS.]

Feira da Agricultura Limpa e Produtos Orgânicos será inaugurada no Parque Ibirapuera

Alimentos agroecológicos, saudáveis e frescos, comercializados a um preço justo, aproximarão produtores e consumidores na 3ª feira deste tipo na cidade.


A Secretaria de Coordenação de Subprefeituras, através da Supervisão Geral de Abastecimento (Abast), em parceria com a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente inaugura a Feira da Agricultura Limpa e Produtos Orgânicos no Parque Ibirapuera, a partir do dia 20 de outubro, sábado, das 7 às 13h.

A feira terá barracas representando aproximadamente 200 produtores, com os mais variados tipos de verduras e frutas, frango, cogumelos, grãos, sucos, caldo de cana, pães, bolos, geleias, açaí, sorvetes, castanhas e outras iguarias. O visitante poderá ainda desfrutar de um café da manhã sob as árvores e mudas do Viveiro Manequinho Lopes – com produtos totalmente orgânicos.

Além da diversidade de produtos de qualidade a preços justos, a feira aproximará produtores e consumidores, e será também um espaço para troca de informações sobre cultura, saúde e lazer.

A ação é apoiada por diversas instituições da sociedade civil que trabalham no fomento à agroecologia, agricultura orgânica, biodinâmica e natural, consumo responsável, Economia Solidária e no apoio à Agricultura Familiar, entre elas a AAO - Associação da Agricultura Orgânica, ABD - Associação Biodinâmica, ANC - Associação da Agricultura Natural de Campinas, MOA International do Brasil (Mokiti Okada Association), Movimento Slow Food, o Instituto Kairós – Ética e Atuação Responsável e a COOPERAPAS - Cooperativa Agroecológica dos Produtores Rurais e de Água Limpa de São Paulo.

Todos os alimentos comercializados são produzidos sem a utilização de agrotóxicos e adubos químicos (Programa Agricultura Limpa), e ainda ajudam a preservar os mananciais das Represas Billings e Guarapiranga, responsáveis pela produção de 30% do abastecimento de água da cidade. No município de São Paulo, todos os agricultores envolvidos na ação recebem a assistência técnica da Prefeitura e têm o selo “Guarapiranga Sustentável”, que garante boas práticas agrícolas. Além disso, os produtores contribuem para a preservação da natureza e manutenção do caráter rural das Áreas de Proteção Ambiental Bororé-Colônia e Capivari-Monos.

Feiras da Agricultura Limpa

A Feira do Parque Ibirapuera será a terceira da cidade com produtos isentos de defensivos químicos, sob o controle da Supervisão Geral de Abastecimento. A 1ª delas foi inaugurada em outubro de 2011, e ocorre todos os sábados no Parque Burle Marx, na Zona Sul, com produtos provenientes da região de Parelheiros. A 2ª, inaugurada também no ano passado, acontece aos sábados, em São Mateus, na Rua Maria do Val Penteado.

Programa Agricultura Limpa

O Programa Agricultura Limpa foi criado em 2010 para incentivar a produção agrícola no município de São Paulo e orientar a conversão da agricultura convencional em agricultura orgânica, sem utilização de agrotóxicos ou produtos químicos. Ainda no mês de setembro do mesmo ano, foi criado através de decreto municipal, o Protocolo de Boas Práticas Agrícolas, documento construído em parceria com o Governo do Estado, que dispõe de regras para produção sem geração de danos ao meio ambiente.

Aderindo ao protocolo, os produtores recebem apoio da Prefeitura para converter sua produção e o direito de utilização do Selo de Indicação de Procedência Guarapiranga – a Garça Vermelha – que identifica os produtos procedentes da agricultura paulistana, cultivados segundo as boas práticas agroambientais.

Atualmente a Supervisão de Abastecimento possui um cadastro com mais de 400 produtores agrícolas na cidade. Na Zona Sul, 37 propriedades agrícolas já aderiram ao protocolo de Boas Práticas Agrícolas. Muitos deles já se preparam para obter a certificação de produtores orgânicos, emitida pelo Ministério da Agricultura.

Casas Da Agricultura
Para realizar o trabalho de assistência aos produtores existem as Casas de Agricultura Ecológica – CAE. Instaladas próximo às áreas produtivas da cidade, possuem técnicos especializados para orientar os agricultores sobre práticas e técnicas de cultivo, desenvolvimento dos sistemas agrícolas e comercialização da produção.

Além da prestação de serviço nas unidades das Zonas Sul, Leste e Norte, os profissionais das Casas de Agricultura realizam também visitas individuais nas propriedades, para identificação de pragas e doenças, análise do solo, identificação de problemas nutricionais e correção da adubação e recuperação da mata ciliar.

A CAE Leste está localizada na Av. Imperador, 1900, Tel.: 2280-9200. Os produtores da Zona Norte podem obter os serviços na CAE Norte, na R. da Cantareira, 306 – Torre A – Tel.: 3313-3365, Para os agricultores da Zona Sul, o serviço está disponível na CAE Sul, à Av. Sadamu Inoue, 5252, Tel. 5921-8089


SERVIÇO
FEIRA DA AGRICULTURA LIMPA NO PARQUE IBIRAPUERA
Data: Sábados (a partir de 20/10/12)
Horário: 7h às 13h
Local: Parque Ibirapuera – Viveiro Manequinho Lopes - Portão 7 - Av. República do Líbano, s/n (necessário o uso de zona azul) e 7A - Av. IV Centenário, 1268 (entrada apenas para pedestres)